Um Diálogo entre Horácio e Lídia (Traduzido por um Gentil-homem da Nova Inglaterra)
Horácio
Enquanto eu ao teu gosto aprazia,
E jovem braço algum teu colo cingia,
Mais feliz vivi no trono do Amor
Que o monarca da Pérsia no seu primor.
Lídia
Enquanto por outra não te abrasavas,
Nem os encantos de Lídia em troca negavas
Por Cloe, vi o meu nome brilhar,
E à glória de Ilia parei de invejar.
Horácio
À trácia Cloe, de canto e lira mestra,
Pertence hoje a alma que em mim se resta.
Por ela eu não temeria a morte achar,
Se a morte, em pagamento, a pudesse poupar.
Lídia
Agora Calais consome o meu peito,
Com tocha acesa no mesmo fogo e jeito;
Por ele a tumba eu ousaria encarar,
Se a Morte o jovem formoso poupar!
Horácio
E se o velho amor enfim despertar,
Para em seu jugo de lembrança nos atar?
Se a áurea Cloe não mais reinar,
E Lídia a porta aberta voltar a encarar?
Lídia
Ainda que ele supere a mais cândida estrela,
E tu transbordes de bílis e escuma amarela,
Contigo os meus dias quisera gastar,
E contigo a morte feliz abraçar.